10 de ago. de 2008

Há vaga




Eu já encontrei o amor da minha vida, ele é real e eu também sou o amor da vida dele. Falta agora encontrar alguém com quem eu possa me relacionar, conviver e me doar, por inteira. É que o homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a gente se queira há muitos anos. Não bastam nossos namoros longos, os rompimentos e a teimosia de desejar mais daquilo que não há de ser. Não presta que ele me visite pra acabar com as saudades e fuja correndo de pernas bambas, com um bumbo no peito e num silêncio incômodo e psicologicamente inquietante. Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. Eu me traduzo e me compreendo enquanto ele se confunde e não se explica. Discordamos sobre tudo, concordamos sobre muito e o desacerto é de lascar, e não há cama que resista a tantas reconciliações.


E como um dia a cama cai, já me decidi: não quero mais o amor da minha vida ocupando o lugar de amor da minha vida. Venho, portanto, pedir a ele publicamente, que libere a vaga. É com você mesmo que estou falando, você aí, que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração, faça o favor de desinstalar-se. Xô! Há de haver um homem bom, me esperando em alguma esquina desse mundo.


Um homem que aprecie o meu carinho, fale a minha língua, agüente (e aliemente) minhas filosofias e questionamentos, divirta-se com meu jeito e queira cuidar de mim e ser cuidado por mim. As qualidades podem até variar, mas aos interessados, se houver, vou avisando: existem defeitos que considero indispensáveis e qualidades supremas. Nada que um bom olhar apaixonante não resolva.


Meu amor tem de ter uns certos ciúmes e reclamar quando eu precisar viajar pra longe. Tem que fazer loucuras, me botar em frias e, sobretudo, quentes. Tem que ser amigo, cúmplice e piadeiro. Pode se meter com minha roupa, com corte do cabelo e achar que sou distraída e não sei dirigir. Ele deve ser organizado, prezar por nosso lar e por nossas coisas e é imprescindível que se aborreça quando assim não for. Deve ser admirável e me ensinar muito, e aos poucos. A sintonia deve ser percebida, mas não acima de sentida.

Ai esse amor que me fará voar longe de lembranças, e amenizar as dores que virão.

Esse vôo alucinante e sem rumo anda me dando um trabalho danado...



Adaptado por mim. Inspirado no texto de Maitê Proença

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