18 de ago. de 2008

Amores abstratos






Outro dia, correndo no parque, cruzei com um amor platônico de infância. Ri baixinho.

Lembrei-me das noites bem dormidas que eu tinha depois de horas pensando nele.
Nos muitos minutos que aguardava ansiosa por cruzar por ele no corredor, na rua, na academia, ou na escola. Os minutos (às vezes segundos) que ele passava por mim valiam ouro e o suficiente para alimentar mais e mais as fantasias daquela menina apaixonada.

Eu tive dois grandes amores platônicos na minha infância e adolescência. Ocuparam boa parte dessas fases. Eles me fizeram companhia dia e noite. Aguçaram todos os tipos de pensamento e sensações que uma garota daquela idade é capaz de ter – assim fizeram pelo simples fato de existirem. Cada pequeno cruzar de olhares era o bastante para eu acreditar que era possível uma concretização ou que todo o meu amor, no fundo, era correspondido. Estar no mesmo lugar era como se o sonho estivesse de verdade acontecendo, e se não acontecia nada (e nunca aconteceu) havia aquele gostinho de quero mais e de que num “amanhã” algo diferente iria acontecer, quem sabe um sorriso diferente, um mover de cabelo, um andar mais pausado.

Hoje sou grata por nenhum desses amores terem se concretizado. Aquela doce apaixonada poderia ter visto seus sonhos destroçados pela crua realidade, ou por sua falta de graça... Os frios na barriga, os sonhos e fantasias fizeram parte daquela fase mágica onde tudo era possível, embaixo do meu cobertor.

Um comentário:

Loló disse...

Adorei esse texto, foi você quem escreveu? O "grand finale" arrasou, ...debaixo do meu cobertor, onde tudo podia acontecer...

Parabéns LAINQUIETA! Pelo texto, se ele não for de sua autoria, pela escolha de postá-lo aqui! E também por manter o seu blog atualizado, tarefa na qual eu tenho falhado...

Saudades de você!

Lyolyozinha