Eu vivo de filme...
Quando eu era criança, eu me imaginava dentro de um filme. Como se minha vida fosse transmitida a várias pessoas de outro país. E eu me imaginava nas situações com trilha sonora, créditos, e até títulos de episódio...
Viver de filme não é assim tão difícil. É só pintar os cabelos e despintá-los. A cada modelito, uma personagem: a menininha, a professora, a gata irresistível, a gata borralheira... Arranjar a amiga mais esperta do mundo, ou sê-la. Conhecer uma pessoa na rua e colocá-la no carro. Comprar sutiãs coloridos. Comer muito como uma rainha. Conversar com cachorros como se fossem gente. Achar que é artista. Comprar o cd da moda e ouvir no volume máximo de vidros abertos. Ser eterna e perdidamente apaixonada por todas as bocas que já passaram pela minha, e viver cada love story intensamente, loucamente, incansavelmente, e ter uma trilha sonora pra cada uma delas. Mentir muito só pra ficar engraçada. Pintar os olhos. Fazer sexo debaixo do bloco, ou na praia, ou no próprio... cinema. Sorrir pra todo mundo, tratar todo mundo bem e ser a própria encarnação da Polianna. Olhar profundo. Doer. Mastigar de um lado só. Sentir o vento, fechar os olhos e escutar ao fundo “and I still haven´t found what I´m looking for”...
E dar um pé na bunda do mocinho pra fugir com o vilão da história.
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